Havia bebido até o amanhecer na sexta com um velho camarada e nessa bebedeira tínhamos combinado de, no dia seguinte, irmos ver o campeonato de surf no Jardim de Alah. Acordei meio-dia, telefonei pro sacana e nada. Entrei no MSN e lá estava ele. Combinamos de almoçar e sair, mas eis que uma ligação muda tudo. Lóki, baterista da minha banda me liga chamando pra ensaiar na casa do seu avô, compromisso que eu não recordava haver assumido, mas que não poderia faltar.
Cancelei o esquema da praia e fui arrumar as coisas pra ensaiar. Baixo, palheta, microfone, cabo... Não tenho cabo. Telefonei pro batera perguntando se lá tinha cabo e me foi dito que não. Haveríamos de arranjar um. Desci com as coisas e lá estava ele me esperando.
No caminho até a loja ele me contou sobre o que tinha lhe ocorrido no dia anterior, algo envolvendo policiais. Fomos na Fox Trot comprar um cabo. Era sábado, uma da tarde. Tentei abrir a porta, mas estava trancada. Pelo vidro pude ver que havia gente lá. Através de gestos comunico-me com um sujeito que presumo ser funcionário da loja que, com um movimento de mãos, diz que já fechou. Observo um rosto conhecido. O irmão do ex-namorado da minha irmã. Ele me reconheceu e veio ao meu encontro. Prontamente um outro funcionário abre a porta e, sem ser perguntado, reafirma o que seu colega já havia dito, só que com mais informações: a loja já fechou, o sistema já foi desativado e não posso lhe vender mais nada; sua urgência me é irrelevante. Eu disse que só queria falar com meu amigo. Ele me emprestaria um cabo se tivesse. Anos atrás eu lhe emprestei meu baixo em uma ou duas oportunidades. Expliquei meu problema a ele e, sem pestanejar, ele disse que me faria esse favor. Fomos até sua casa buscar o objeto.
Com o cabo em mãos, só faltava ir buscar Rodrigo e partir pro ensaio. Rolou uma sessão regada a Eminem. É som que Lóki escuta no carro. Com Rodrigo no veículo partimos pra Lauro de Freitas, pro condomínio do avô de Lóki. Mais Eminem. No condomínio tem uma casa onde supostamente funciona uma clínica de aborto. Fiz uma piada sobre eles promoverem um churrasco grátis.
Já no local do ensaio, fomos arrumar as coisas. Lóki lembrou-se que tinha esquecido de trazer a máquina de cimbal. Pra que levantar e abaixar o cimbal, né? Dá pra levar assim mesmo. Na arrumação descobrimos que Rodrigo não levou a caixa de guitarra. Ele disse que achava que não precisava. Então tínhamos apenas duas caixas, sendo uma onde ficaria o microfone e a outra, maior, teria o baixo e a guitarra juntos numa combinação que deixou o som horrível.
O pedestal do microfone estava quebrado. Ele não tinha suporte pra segurar o microfone. Arrancamos um fio de um rádio velho que tinha lá e amarramos o microfone no pedestal.
Depois observo Lóki com um pedaço de arame armengando alguma coisa no pedal da bateria que tava sem não sei o que. O pedal não funcionava direito, o som bumbo saía bem fraco.
Rodrigo ligou a guitarra e o som também saiu fraco, baixo. Colocamos no máximo e parecia que o instrumento tava desplugado. Liguei meu baixo e o som saiu normal. Peguei o meu cabo e conectei na guitarra. O som saiu perfeito. O problema então era no cabo. Rodrigo disse que tinha comprado aquele cabo no Pelourinho e nunca tinha testado.
Fomos terminando de arrumar tudo, testando o cabo, mudando de posição, mexendo pra ver se algo milagrosamente acontecia e aconteceu. Num piscar de olhos o som da guitarra ficou audível.
Começamos a tocar e tudo fluiu de certa forma muito bem apesar da estrutura precária. Passamos as músicas antigas e uma música nova, acrescentamos coisas e, no final de tudo posso dizer que o ensaio foi bem útil.
Da próxima vez Rodrigo levará a caixa de guitarra e o pedal estará arrumado. Com mais recursos espero que seja melhor.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)
