As ruas do Comércio são bonitas, espaçosas. Os prédios dão um ar cosmopolita ao bairro. Nos becos, famílias de mendigos dormem e estendem seus farrapos nos galhos de pequenas árvores; sacizeiros tomam conta dos carros dos burgueses - advogados, contadores, comerciantes, bancários; o cheiro de mijo impera por todo o ambiente. Pessoas mijam nos muros, nos postes, nas latas de lixo, nas calçadas, nas praças. Sinto-me como se caminhasse na tampa de uma gigantesca privada.
O legal é ter que subir o Elevador Lacerda e curtir aquele visual lá de cima da cidade alta num bom fim de tarde. Dá pra ver o Comércio todo. Eu, de cara (fechada), vestido tal qual um babaca, vendo os turistas empolgados e sorrindo e cantando. Tudo é novidade pra eles. "A Bahia é linda", eles dizem. A vista é realmente recompensadora.
Percebo cada vez mais me afastar das pessoas. Deve ser algo natural que cresce com o tempo. Na proporção que as pessoas vivem e convivem umas com as outras, as relações vão se desgastando e, assim, passam a preferir evitar novos contatos a fim de que não se aborreçam mais (ou se aborreçam menos). Talvez seja isso. Mesmo assim, as pessoas seguem me fascinando.
Enquanto isso sigo para a faculdade, o Fórum, o CAB, a Baixa dos Sapateiros, as ruas do Comércio; cruzando com humanos em todas as direções. Alegrias e tristezas transitando de um lado ao outro, levando consigo seus problemas, seu dinheiro, seus amores, sua história.
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